Por: Marielle Flôres
Há algumas semanas o Instagram foi tomado pela energia deliciosa dos anos 80. Mangas bufantes, cores vibrantes, tactel nos casacos neon, calças destonadas de cós alto, mullets e cabelos frisados retratados em fotografias em tons de sépia.
Para contextualizar o rolê, não podia faltar a trilha sonora — e aqui me derreto em amores, porque sou filha dessa década. A trend do “chat, como eu seria nos anos 80” derrubou milhares de árvores para nos recordar, com certa dose de exagero, o que vivemos, vimos e ouvimos há quase 50 anos. Segundo dados do Google, o termo específico da trend teve um disparo de 5.000% nas buscas em apenas uma semana.
As fotos vinham acompanhadas de hits que nunca saíram de moda: Take On Me (A-ha), The Look (Roxette), Everybody Wants to Rule the World (Tears for Fears), I Wanna Dance with Somebody (Whitney Houston), Together Forever (Rick Astley). Dos sucessos nacionais, Exagerado (Cazuza), Sonífera Ilha (Titãs), Tempo Perdido (Legião Urbana) e Tempos Modernos (Lulu Santos) ganharam destaque em meio aos retratos oitentistas.
A nostalgia dos anos 80 virou um verdadeiro fenômeno cultural nos últimos anos, aumentando drasticamente as buscas por hits da década. Essa tendência foi impulsionada principalmente pela cultura pop, pela moda e pelo cinema, criando uma ponte entre as gerações que viveram a época e os jovens da Geração Z.
Não posso negar que fui impactada por filmes, séries e trends que me fizeram resgatar playlists inteiras daquela batida que acelera o coração e dá vontade de sair dançando como a Alex ao som de Maniac, em Flashdance. Recentemente, a série Stranger Things trouxe de volta para os players a música Running Up That Hill (Kate Bush), levando o hit ao topo das paradas globais quase 40 anos após seu lançamento. Cabe lembrar também a série Cobra Kai e o filme Guardiões da Galáxia, que alcançaram gerações diversas com trilhas sonoras memoráveis para públicos de todas as idades.
Além disso, gêneros musicais recentes adotaram os sintetizadores pesados e a estética visual dos anos 80. Um exemplo? The Weeknd, com o álbum After Hours e o hit Blinding Lights. Os desavisados podem ser pegos de surpresa e achar que o som veio direto do túnel do tempo, como naquele quadro do Vídeo Show. A própria On The Vox nasceu com o propósito de conectar a geração do rádio com o futuro, e tem se dedicado a expandir esse repertório não só pela programação da rádio, mas em todas as ações que promove.
O fato é que todas essas possibilidades, séries, filmes, trends e rádios como a On The Vox, que assumem o papel de guardiãs desse repertório, mantêm vivos os sucessos que embalaram discotecas e saraus dançantes nos idos anos 80 e 90. Em meio ao bombardeio diário de novidades imposto pelos algoritmos das redes sociais, são justamente essas estratégias que garantem a sobrevivência do repertório oitentista, perpetuando essa espécie musical e mantendo vivos os fãs de um ritmo que, quase 50 anos depois, continua acelerando corações e movendo pés.