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Guitarras, violinos e uma noite de arrepiar

Por: Marielle Flôres

Que o bom e velho rock n’ roll combina com tudo não é novidade para ninguém. Ainda mais para os on the voxers de camiseta e carteirinha! Por essa razão, juntar guitarra, baixo e bateria a violinos, oboés, violoncelos e toda a potência de uma orquestra sinfônica agrada até aos ouvidos mais exigentes. Deep Purple, Metallica, Scorpions, Kiss e Yngwie Malmsteen estão aí para provar que essa combinação não apenas funciona: surpreende, arrepia e encanta.

E não foi diferente na noite desta quinta-feira, 10, no Centro de Convenções da Universidade Federal de Santa Maria. Bastaram os primeiros acordes para que dois universos que, à primeira vista, poderiam parecer distantes mostrassem o quanto têm em comum: intensidade, grandiosidade e a capacidade de mexer com quem está ouvindo.

Produzido e apresentado pela primeira vez em junho deste ano, o espetáculo Os Grandes Clássicos do Rock, que já havia emocionado o público com sucessos do rock nacional e internacional, voltou à cena para mais uma apresentação emblemática. No palco, as vozes de Daiane Diniz, Juliana Pires, Matheus Lopes e Zuli dividiram os holofotes com a banda Rocksane e a Orquestra Sinfônica de Santa Maria, todos sob a regência do maestro Cláudio Antônio Esteves — que, para completar a festa, era também o aniversariante da noite.

O repertório fez jus à proposta de uma verdadeira viagem pela história do rock. Rolling Stones, Elvis Presley, Queen, Beatles, AC/DC, Guns N’ Roses, Van Halen e Survivor somaram com nomes que ajudaram a escrever a história do gênero no Brasil, como Raul Seixas, Rita Lee, Legião Urbana e Barão Vermelho. A cada música, riffs conhecidos ganhavam a companhia das cordas, sopros e metais, revelando novas camadas de canções que muita gente na plateia certamente já sabia de cor.

Segundo o maestro Cláudio Antônio Esteves, regente e diretor artístico da Orquestra Sinfônica de Santa Maria (OSSM), a apresentação promoveu o encontro entre dois universos musicais capazes de emocionar multidões: de um lado, a força e a energia do rock; de outro, a riqueza sonora da música sinfônica. Em arranjos especialmente criados para a orquestra, canções que marcaram época ganharam novos contornos, revelando ainda mais sua potência melódica e expressiva.

E foi justamente esse encontro que tomou conta do Centro de Convenções. Com uma produção técnica, sonora e visual impecável, o espetáculo mexeu com o coração — e com o esqueleto — até dos fãs mais contidos desse estilo musical que atravessa gerações. Era difícil permanecer imóvel diante da combinação de guitarras, bateria, metais e violinos, enquanto vozes potentes conduziam a plateia por décadas de clássicos.

Ao final, crianças, jovens e adultos estavam de pé para aplaudir os músicos. E, como toda boa noite de rock merece um pouco mais, ainda houve bis: um pot-pourri de arrepiar, daqueles que fazem o público perceber que ainda não está pronto para ir embora. Impossível não sacudir a cabeça — ou, pelo menos, marcar o ritmo com o pé — diante de uma orquestra inteira mostrando que o rock pode ganhar muitas formas sem perder aquilo que tem de mais essencial: energia.

O espetáculo foi realizado pela Associação Cultural Orquestra Sinfônica de Santa Maria, com financiamento da Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria, por meio do incentivo cultural da Fundação Eny e de contribuintes doadores de ITBVI. Contou com patrocínio da Apusm e do Grupo Felice, promoção da Orquestra Sinfônica de Santa Maria e da Pró-Reitoria de Extensão da UFSM e produção cultural da Plano Comunicação e Eventos.

Foto: Marcos Oliveira

Texto e fotos: Marielle Flôres

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